sexta-feira, 17 de abril de 2009

A paz perdida?

Texto publicado no "JBonline", página "Cultura" de 14/abril/2009, fonte: http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/04/13/e130419391.asp

O barulhinho do modem já foi prazeroso. Ele sumiu e a nossa paz também
por Mario Marques, Jornal do Brasil

RIO - Tenho 30 minutos para jantar. Tempo suficiente para que meu PC 286 baixe uma homepage de conteúdo, essencialmente, de texto. Da cozinha ouço o início da conexão, aquele barulhinho de fax quase “digital”. No meio da transmissão dos dados, cai tudo. E, animadíssimo, lembro-me que acionei o recurso automático.

Degustando o resto do nada suculento frango com arroz, com a cabeça na luz do monitor do quarto quase escuro, corro para aguardar a página da internet que me levará a um mundo virtual que nem na ficção científica foi tão bem planejado. É claro que o ano não é este corrente.

Falamos de 1995, época em que, creia, encontrávamos nas bancas uma revista que fornecia... endereços de homepages (o termo site surgiu tempos depois)! Minha namorada, também jornalista, sentenciava-me que aquele era o futuro.

Naquela década, eu enfrentara, por favor, sem o saudosismo medíocre dos chatos, a confecção das páginas de jornal com uma faquinha olfa, usada para abrir janelas nas prints e alocar as fotos (fotos de verdade). Dentro de um pastão, carregávamos montes de papéis, retratos fixados em clipes, rabiscos de medidas a lápis. E aguardávamos um ou dois dias, dependendo do fluxo da gráfica, para aprovarmos os fotolitos. Não dá a menor saudade.

Por isso, naquela noite em que escutei, prazeroso, aquele “barulhinho bom” do modem, tive a certeza de que o mundo, como bem apregoara minha namorada, mudaria. Eu só não sabia que meu estresse, a partir dali, aumentaria em doses colossais.

Pesquisas como a de David Sheffield, acadêmico da Universidade de Staffordshire, na Grã-Bretanha, indicam que as pessoas que têm telefones celulares conectados à internet são mais estressadas e irritadiças. Os usuários mentiam sobre o quanto usavam o aparelho, ficavam irritados depois de utilizá-lo ou se mostravam excessivamente preocupados com o celular.

Sheffield descobriu que eles apresentavam pressão arterial mais baixa depois de abandonar os celulares. É assim que me sinto quando olho para o lado, na cama, para a frente, na mesa, para baixo, o bolso. Em todas as direções para as quais meus olhos apontam está o tal do Blackberry.

Nos últimos dois meses decerto olhei mais para o aparelho do que para o rosto de minha bem-vinda recém-nascida. Para um sujeito como eu, que jamais conseguiu se desligar do trabalho – desde 1995, com o clássico tijolão da Motorola, nunca saí de casa sem o celular no bolso – o Blackberry é mais companheiro do que minha própria mulher. Agrava-se à situação minha mobilização: cadastrei três e-mails diferentes no smartphone. Isso quer dizer que pulsam, vibrando, diariamente, mais de mil e-mails na minha caixa de entrada.

Posso dizer, sem dor, que minha vida é cheia das vibrações. Já respondi a sugestões de pauta às três, quatro da manhã. Aliás, são os horários em que mais costumo dar retornos das solicitações de assessores ou leitores. Pior: quando pinta uma ideia, mando e-mail na mesma hora aos repórteres, faço planejamentos e monto pautas.

Sou um escravo do Blackberry. Ou do que há “dentro” dele. Não estou sozinho nesse mundo de Meu Deus. Tenho pares. Sinto que, quando envio e-mails para outros Blackberrymaníacos, as respostas também chegam em instantes. Isso quer dizer que eles também são movidos à vibraçãozinha diária. Como eu, não desligam.

Outros estudos são mais alarmantes. A Academia Americana da Medicina do Sono em Westchester, no estado de Illinois, EUA, diz que os jovens que usam em excesso seus telefones celulares têm mais dificuldade para dormir e sofrem de estresse e fadiga. O relatório se baseia no cotidiano de 21 jovens entre 14 e 20 anos, com boa saúde e sem problemas de sono. Os que usavam o telefone de forma excessiva mostraram um estilo de vida descuidado, maior consumo de bebidas estimulantes, dificuldades para dormir, além de maior suscetibilidade ao estresse e à fadiga.

Pesquisa recente da Pew Internet & American Life Project mostra que trabalhadores conectados estão mais propensos ao estresse: “Enquanto estas pessoas reconhecem a flexibilidade que tal parafernália lhes proporciona, muitos trabalhadores dizem que estes gadgets também trazem estresse e novas demandas para suas vidas”, diz o estudo.

Para um cidadão obsessivo como eu, o Blackberry virou quase uma doença. No caminho para casa ou na ida para o trabalho, são incontáveis as vezes em que me desligo do volante e checo meus e-mails. Respondo-os a 60/70 km por hora, transgredindo todas as possíveis leis de trânsito. Estou pedindo um acidente.

Neste momento, com a mão quase a tremer, olho-o de soslaio, dentro da capinha de couro, em cima da mesa, pedindo para ser tocado. Estou entre ele e as 19 linhas que faltam para dar o ponto final neste espaço.

Não vou finalizar as reflexões acima como os que, erroneamente, dizem que o mundo (e o jornalismo) de antigamente é que era melhor, sem Blackberrys, PCs e demais tecnologias à disposição. Não era mesmo.

Graças a eles temos, hoje, repórteres mais informados, mais preparados, mais ligados. Imprensa mais atenta, mais interligada com o leitor, mais forte. Mais preguiçosa também – são inúmeros os casos em que uma entrevista por telefone ou ao vivo é trocada por outra via e-mail sem a menor necessidade. Mas esse papo de que “antigamente é que era bom” é também muito preguiçoso. Esse saudosismo bobo, de achar que o mundo era melhor “no meu tempo”. Não era, não.
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Três discos recém-lançados competem de igual para igual com os e-mails de meu Blackberry, no (longo) caminho de volta à casa (Caetano, Zii e Zie; Guinga e Paulo Sérgio Santos, Saudade do cordão; Diana Krall, Quiet nights).
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E agora, Dinamite? Para onde você vai nos levar?
19:14 - 13/04/2009

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Serviço de saúde musical (parte 2)

Texto publicado no jornal "Folha de S.Paulo" de 06/abril/2009, caderno "The New York Times"

Música vira receita médica contra doenças
por Matthew Gurewitsch

O fato de que a música nos toca no próprio cerne de nosso ser é uma descoberta tão antiga quanto a consciência humana. Mas será que a música pode ser considerada medicamento?Uma especialista que aposta nisso é Vera Brandes, diretora do programa de pesquisas com música e medicina da Universidade Médica Privada Paracelsus, em Salzburgo, Áustria.

“Sou a primeira farmacologista musical”, disse Brandes no ano passado em Viena. Como tal, ela vem desenvolvendo medicamentos na forma de música, prescritos como receita médica. Para promover a linha de produtos, ela ajudou a fundar a Sanoson (http://www.sanoson.at/), empresa que também cria sistemas de música sob medida para hospitais e clínicas.

“Estamos preparando o lançamento de nossas terapias na Alemanha e na Áustria no final de 2009 e prevemos o lançamento nos EUA em 2010”, disse.

O tratamento funciona assim: uma vez dado o diagnóstico médico, o paciente é enviado para casa com um protocolo musical para ouvir e músicas carregadas num tocador semelhante ao iPod. O timing é essencial. “Se você ouvir música para acalmar quando estiver num ponto ascendente de seu ciclo circadiano, isso não o acalmará”, explicou Brandes. “Pode até deixá-lo irritado.”

Brandes e seus colaboradores analisam músicas de todo tipo para retirar seus “ingredientes ativos”, que então são misturados e balanceados para formar compostos medicinais. Embora eles não procurem tratar patologias graves ou doenças infecciosas, afirmam que seus métodos têm aplicações amplas em desordens psicossomáticas, administração de dor e o que Brandes descreve como “doenças da civilização”: ansiedade, depressão, insônia e determinados tipos de arritmia. A farmacopeia contém até agora cerca de 55 faixas de música medicinal, e novas faixas estão sendo planejadas.

Num estudo piloto, que em 2008 foi citado na reunião científica anual da Sociedade Psicossomática Americana, Brandes e seus colaboradores estudaram os efeitos da música sobre pacientes com hipertensão sem causas orgânicas. “O tratamento convencional para pacientes hipertensos é com betabloqueadores, que suprimem seus sintomas”, disse Brandes. “A música pode tratar as causas psicossomáticas originais.”

Segundo seu estudo, depois de ouvir um programa musical criado especialmente para o paciente, por 30 minutos por dia, cinco dias por semana, durante quatro semanas, os pacientes apresentaram melhoras significativas na variação do ritmo cardíaco, um indicador importante da função nervosa autônoma.

Brandes, 52, já foi produtora de eventos e gravações musicais e tem um vasto currículo na área. Mas um acidente de carro quase fatal em 1995 a levou a pensar numa mudança de carreira.
“Quebrei as vértebras 11 e 12, passando a um milímetro da medula espinhal”, ela contou. “O médico disse: ‘Não vou poder fazer nada por você durante algum tempo, mas você pode cantar, se quiser’.” A equipe médica previa que Brandes teria que ficar imobilizada entre 10 e 14 semanas.

Ela estava dividindo o quarto do hospital com uma budista, cujos amigos vinham diariamente entoar cânticos para ela. Após apenas 15 dias no hospital, uma ressonância magnética mostrou que sua espinha estava curada. “Todo o mundo disse que era um milagre”, contou Brandes. “Os médicos me mandaram para casa. Aquilo me fez refletir.”

Brandes, que não tem diploma de estudos avançados em medicina ou ciência, sabia que suas teorias jamais ganhariam aceitação se não passassem por testes clínicos. “Desde o início, eu estava determinada a satisfazer os mais exigentes critérios científicos ocidentais”, disse.

Além dos esforços de Brandes, a Sourcetone Interactive Radio, que se descreve como “o maior serviço mundial de saúde com música”, emprega pesquisas feitas conjuntamente pelo Centro Médico Beth Israel Deaconess, em Boston, e a Escola de Medicina Harvard, onde o neurologista Gottfried Schlaug estuda os efeitos da atividade musical sobre a função e a plasticidade cerebrais. “Acho que é importante participar, fazendo música, não apenas ouvir”, disse Schlaug.

Stefan Koelsch, pesquisador-sênior sobre o neurorreconhecimento da música e da linguagem na Universidade de Sussex, em Brighton, Reino Unido, concorda e está trabalhando com tratamentos musicais participativos para a depressão. No longo prazo, ele enxerga possibilidades mais amplas.

“Fisiologicamente falando, é perfeitamente plausível que a música afete não apenas as condições psiquiátricas, mas também as desordens endócrinas, autoimunes e do sistema autônomo”, disse ele.
Vera Brandes também está pensando no futuro. “Digamos que um paciente chegue sofrendo de depressão”, disse ela. “O primeiro passo sempre é procurar um médico. Mas, a partir disso, haverá opções de tratamento: com psicólogo, antidepressivo ou música.”

domingo, 5 de abril de 2009

Entrevista com Zuza

Texto publicado no jornal "O Estado de S.Paulo" de 05/abril/2009, no "Caderno2"

"Pixinguinha mudou minha maneira de ver a MPB"

Desde a década de 1950, o nome do produtor musical, escritor, jornalista e crítico Zuza Homem de Mello está associado à grande maioria dos projetos ligados à música brasileira — na televisão e no rádio, em festivais e nas principais publicações do País.

Nos anos 1970, ele levou a sua já então extensa experiência como diretor musical à série de shows "O Fino da Música", em São Paulo, na qual se apresentaram tanto artistas consagrados — caso de Elis Regina e Elizeth Cardoso — como outros em início de carreira (João Bosco, Ivan Lins e Alcione, por exemplo).

Entre os livros de Zuza destacam-se "A Era dos Festivais", "A Canção no Tempo" e "Eis Aqui os Bossa-Nova".

Qual disco ou música mudou sua maneira de ver o mundo?

Minha maneira de ver a música brasileira mudou quando vi Pixinguinha tocar no antigo Teatro Colombo, do Brás. Meus ídolos eram Luiz Gonzaga e Mário Reis e com Pixinguinha descobri a liberdade do jazz na música brasileira.

Que obra o senhor detestou à primeira vista e passou a venerar depois?

A de Walter Franco. Estava errado. É um criador rebelde, à frente de seu tempo e dos presunçosos transgressores falsamente exaltados que vão sendo esquecidos. A obra do Walter cresce cada vez que é ouvida.

Qual é o disco ruim que o senhor adora ouvir, mas tem vergonha de dizer que gosta?

Sem vergonha alguma, apesar da formação jazzística, adoro os discos de Roberta Miranda, Nubia Lafayette, Nalva Aguiar, Marinês, Tonico e Tinoco entre outros do universo de artistas amados pelo povo mais simples. São diferenciados da mediocridade laureada e dela separados por uma tênue divisória.

Que artista o senhor não acha tão bom, mas que todo mundo acha?

Marisa Monte. Admiro seu talento e o cuidado que ela tem com a carreira, mas as interpretações não me convencem. O oposto de Nana Caymmi ou Adriana Calcanhotto.

Qual clássico da MPB o senhor acredita que não merece esse título?

Posso inverter a questão? Jackson do Pandeiro nunca teve um LP clássico, nunca foi tratado como Luiz Gonzaga. Bastava deixá-lo gravar à vontade com bons músicos nordestinos. Com o "rei do ritmo", a oportunidade de um clássico foi perdida para sempre.

Que canção considerada clássica mereceria uma letra melhor?

Concordo com o Hermínio Bello de Carvalho. A letra de "Só Danço Samba" é descuidada e é do mestre Vinicius de Moraes. Acontece nas melhores famílias. Em compensação, a única letra conhecida de Jayme Silva é criativa e a mais divertida da bossa nova, "O Pato".

Qual disco o senhor imaginou que seria ótimo e frustrou suas expectativas?

"Babando Lamartine" com As Frenéticas. Reuniria a fome com a vontade de comer num clássico do nonsense. Em vez de um jantar foi um lanchinho sem a menor graça.

Que disco fez o senhor passar uma noite em claro analisando o que tinha ouvido?

Foi literalmente uma noite em claro na antiga casa do Diogo Pacheco e Maria José de Carvalho, no Ipiranga, anos 50. Com outros amigos ouvimos apenas os dois lados de um disco: "Juramento Falso" e a valsa "Lábios Que Beijei", com Orlando Silva.

Qual o senhor nunca deixa de ouvir? Por quê?

Os de João Gilberto, Tom Jobim, Jacob do Bandolim, Duke Ellington, Bill Evans, Thelonious Monk, Nuevo Quinteto Real de Horacio Salgán, Stravinski, Ravel, Debussy e os Concertos para Piano de Mozart. Não são afetados pela passagem do tempo e, a cada vez que ouço, vibro mais, mais me encanto com as letras das canções, mais sorrio cantarolando as melodias, mais admiro as soluções harmônicas, mais sinto prazer em viver.

O senhor é mais Caetano Veloso ou Chico Buarque? Maria Bethânia ou Gal Costa? Por quê?

É como comparar Cartola com Paulinho da Viola. Quantos países têm quatro artistas desse nível em pleno vigor criativo por mais de 40 anos? Estão na linha de frente da MPB, a que o mundo louva. Tenho admiração especial por Maria Bethânia, a única de sua geração que não sofreu influência de João Gilberto.

De qual compositor(a), grupo ou cantor(a) o senhor tem todos os discos?

Com uns 300 LPs de Duke Ellington acreditava estar próximo de todos os seus discos. Ledo engano. Dos brasileiros, penso ter tudo de Paulinho da Viola e certamente vou continuar com o que vier.

Que unanimidade da MPB o senhor não tem interesse?

Quem lida profissionalmente com a música deve saber reconhecer quem são os que conduzem a canção brasileira no rumo contrário ao de sua grandeza. Nesse sentido, existem algumas falsas unanimidades. É o caso, por exemplo, de Zezé di Camargo, cuja obra é montada sobre a mesma fórmula, que segue por um caminho previsível e vulgar. Suas tentativas de composição não passam do que há de mais rasteiro, sem a menor imaginação.

Qual músico o senhor admira por combinar atitude e qualidade artística?

João Bosco.

Que artista, na sua opinião, começou mal a carreira discográfica e depois deslanchou?
Zizi Possi. Era uma grande cantora, mas só ganhou prestígio quando começou a gravar um repertório à altura.

Qual bom disco mal gravado mereceria ser refeito hoje pelo artista original?

As versões originais são quase sempre superiores às regravações. A primeira gravação transpira uma espontaneidade que fica registrada e dificilmente é repetida. Não me dou muito bem com novas versões ou rock em versões acústicas. Tempo perdido.

Aponte um disco que considera um clássico instantâneo.

Elis e Tom. Nesse caso, novamente se reuniu a fome com a vontade de comer, mas dessa vez foi um banquete do qual o mundo se regala até hoje. Chega a ser covardia.

Qual a melhor e a pior regravação de um clássico da MPB?

O primeiro disco de João Gilberto já tem quatro: "Rosa Morena", "Morena Boca de Ouro", "Aos Pés da Cruz" e "É Luxo Só". Quando gravou "Samba do Avião" em 1995, talvez para uma releitura excêntrica, Marina cometeu um erro frequente. O avião se espatifou na aterrissagem.

E outro, lançado nos últimos dez anos, que está entre os melhores de todos os tempos?

O duplo "Ouro Negro", produção de Zé Nogueira e Mario Adnet no resgate da obra de um músico superior, Moacir Santos. Há três menções honrosas: "Música Ligeira" com o grupo mais original destes dez anos (Mario Manga, Fabio Tagliaferri e Rodrigo Rodrigues), desfeito com a morte de Rodrigo. "Achou", segundo disco de Dante Ozzetti, e "Outra Praia", de Swami Jr., que têm vitalidade contemporânea. Nada que seja ouvido naqueles programinhas que todos sabem quais são.

Que artista ou banda badalada pela crítica o senhor considera inferior?

A grande maioria do rock brasileiro. O Skank é rara exceção.

Qual foi o show que mais marcou sua vida?

Mesmo após a primeira resposta, não posso me furtar em destacar os de Ray Charles como os mais tocantes. Os mais empolgantes: de Little Richard e Willie Nelson nos Estados Unidos, de Morais Moreira e Tim Maia no Brasil. O mais arrebatador foi o concerto de jazz no Carnegie Hall, em 29 de novembro de 1957, com a orquestra de Dizzy Gillespie, depois um jovem pouco conhecido, Ray Charles, seguido do quarteto de Thelonious Monk com John Coltrane, do quarteto de Zoot Sims com Chet Baker, do trio de Sonny Rollins e de Billie Holiday, ao final. Ainda guardo na memória alguns daqueles sons, era estudante de música e o ingresso custou US$ 3.

sábado, 4 de abril de 2009

Serviço de saúde musical

Texto publicado no jornal "O Estado de São Paulo" de 04/abril/2008, no "Caderno2"

Santo remédio à base de sustenidos e bemóis
por Sérgio Augusto

Ruim da cabeça? Angústia? Depressão? Estresse? Hipertensão? Tiques nervosos?

O divã pode ser uma solução; Prozac, Zoloft, Lexotan, Rivotril, betabloqueadores também; mas o único tratamento sem contraindicação para todos esses e outros males é a música. Seus efeitos colaterais praticamente inexistem, embora crianças assustadiças não devam ser submetidas às cortantes violinadas que Bernard Herrmann compôs para o assassinato de Janet Leigh em Psicose, sob pena de perderem o sono ou, pior ainda, sofrerem um ataque de "epilepsia musicogênica" semelhante ao que vitimou um crítico musical do século 19, chamado Nikonov, em quem a ópera O Profeta, de Meyerbeer, sempre provocava convulsões. Mas patologias como a de Nikonov são raríssimas.

Música é uma bênção para o corpo e o espírito. Pura superstição aquela história de que Tristão e Isolda poderia enlouquecer seus ouvintes mais delicados. Por ir fundo às mais recônditas regiões da psique, ativando quase todo o cérebro humano, dos centros nervosos sensitivos ao córtex pré-frontal, cerebelo, hipocampo e córtex motor, a música mexe com as atividades racionais, as emoções, a memória e os movimentos do corpo humano. Indutora de dopamina, serotonina e adrenalina, ela emociona, acalma, relaxa, enleva, consola, inspira, levanta o ânimo e excita ("Ouvimos música com os nossos músculos", apregoava Nietzsche). Já se desconfiava disso desde, pelo menos, Platão.

A musicofilia é inata no ser humano. A fala, aliás, teria derivado, segundo Darwin, da música primal que nossos ancestrais semi-humanos usavam para atrair um parceiro. Os hominídeos paleolíticos já cantavam, comprovou Steven J. Mithen em seu estudo sobre a origem da música, da linguagem, da mente e do corpo, The Singing Neanderthals (Harvard University Press), publicado em 2005.

Assim como a inteligência nada tem a ver com a sensibilidade musical (do contrário, Nabokov e João Cabral de Melo Neto, dois notórios ouvidos de chumbo, não teriam feito o que fizeram), a burrice nunca foi empecilho para o desenvolvimento de algum tipo de musicalidade, ativa e passiva. Oliver Sacks refere-se a um retardado mental que sabia de cor duas mil óperas, era um "dicionário de música ambulante" e assim foi definido num capítulo de O Homem Que Confundiu sua Mulher com um Chapéu, reaparecendo, com maior destaque, no recente Alucinações Musicais - Relatos sobre a Música e o Cérebro, também traduzido pela Cia. das Letras.

Muito se progrediu desde as especulações de William James sobre a nossa "suscetibilidade à música" (e suas propriedades sedativas, consolativas e emocionais) e o hype em torno do Efeito Mozart (as crianças ficariam mais inteligentes, as galinhas poriam mais ovos e as vacas dariam mais leite se expostas a longas audições de sinfonias e concertos do Wolfgang Amadeus). Sobretudo no campo científico, graças à dobradinha neurociência-informática, que tornou possível estudar e monitorar a complexa orquestração dos milhões de neurônios que compõem o cérebro.

Datam de meados dos anos 1960 as primeiras observações de Sacks sobre os efeitos da música em pacientes com doença de Parkinson. O estudo pioneiro de Macdonald Critchley e R.A. Henson sobre as relações da música com o cérebro, Music and the Brain, foi publicado em 1977. Mas as pesquisas nesse campo atingiram novo patamar na Universidade Médica Paracelsus de Salzburgo, na Áustria, onde a dra. Vera Brandes implantou um programa de pesquisas sobre música e medicina. Com ela, a musicoterapia ganhou (ou está prestes a ganhar) uma farmacologia.

Nada em frascos, bem entendido. Nem comprimidos, nem cápsulas, nem gotas, nem injeções de Beethoven (ou de Mantovani), nem emulsões de Scott Joplin ou soros hardrock punk estão previstos. Florais de Bach? Já bastam os que o dr. Edward Bach legou à homeopatia. O que de benéfico Johann Sebastian nos tem a oferecer está em suas fugas — e, a exemplo dos benefícios à saúde proporcionados por outros músicos e compositores, contido num artefato de armazenamento digital de áudio. É "remédio" de aplicação exclusivamente auricular, capaz de fazer nosso cérebro zunir com intensa atividade neural.

"Ouvir música de qualidade e frequentar concertos com certa regularidade rejuvenesce as pessoas", promete o dr. Michael F. Roizen, do Wellness Institute da Clínica de Cleveland, que admira e acompanha o trabalho da dra. Brandes. "Música de qualidade alivia o estresse, retarda o envelhecimento das artérias e ajuda a enfrentar fatores ambientes adversos e cancerígenos, benefícios que assistir a competições esportivas, por exemplo, não oferece", assegurou ele no congresso Mozart & Ciência, realizado em Viena, em novembro passado.

Até pode ser, mas o conceito de "música de qualidade" é relativo. O produtor de discos e neurocientista Daniel J. Levitin, autor de um livro excelente e delicioso de ler sobre o funcionamento do cérebro sob o efeito de sons harmoniosos e dissonantes, This Is Your Brain on Music (Palmer, 2006), tem uma visão bem mais eclética da sedução e da eficácia terapêutica da música. Suas análises não se limitam aos clássicos; cobrem também o jazz, o pop e o rock; de Abdul (Paula) a Zeppelin (Led). A música que me encanta e constaria da minha receita pode não ser a mesma de que o prezado (& angustiado & deprimido & estressado) leitor prefere e talvez precise aplicar em sua complexa máquina cognitiva.

Os mais estranhos sortilégios da música estão registrados em toda parte. Em seu último livro, Oliver Sacks registra dois casos extremos de musicofilia: o de um ortopedista que aprendeu música depois de atingido por um raio e o de um musicólogo inglês que teve toda a memória apagada, menos a musical. Tony Cicoria, o ortopedista atingido por um raio, saiu do choque com uma vontade louca de ouvir piano, especialmente Chopin, e em questão de meses, partindo do zero, transformou-se num pianista. Clive Wearing, o musicólogo que uma infecção meningocócica condenou à amnésia, não se lembra de nada, só das músicas que ouviu desde a infância. O próprio Sacks recuperou-se das dores num joelho avariado nas montanhas norueguesas ouvindo repetidas vezes o Concerto para Violino, de Mendelssohn.

A dra. Vera Brandes, ex-produtora de shows e concertos, responsável pelos célebres improvisos ao piano de Keith Jarrett em Colônia, em 1975, descobriu sua vocação para farmacologista musical ("a primeira do ramo", vangloria-se) quando se recuperava de um acidente de carro. Dividia o quarto do hospital com um budista, cujos parentes e amigos já entravam no recinto cantando e dançando. Vera sarou em duas semanas. A previsão era de meses.

"Só pode ter sido efeito da música", matutou. E começou a desenvolver "medicações" em forma de música, pesquisando, misturando e balanceando temas, ritmos, timbres e sonoridades, em "compostos medicinais". Primeira cobaia: sua mãe, vítima de câncer. Não a curou, claro, pois o poder de toda a escala musical não chega a tanto, mas ela durou muito mais tempo do que o previsto pelos médicos.

Para comercializar sua teoria, a dra. Brandes criou uma empresa, Sonoson, especializada em montar sistemas musicais personalizados para clínicas, que chegarão aos mercados alemão e austríaco no segundo semestre deste ano e ao americano, em 2010. Funciona assim: o paciente, depois de diagnosticado por seu médico, recebe uma espécie de iPod abarrotado de músicas, testadas em laboratório e com estímulos específicos, mais um fone de ouvido e um medidor de pulso para registrar batimentos cardíacos e outros índices fisiológicos. Parece musak de manipulação, homeopatia sonora, e é inútil, alerta a doutora, no combate a patologias complicadas e doenças infecciosas, mas tiro e queda para desordens psicossomáticas e o que ela qualifica de "doenças da civilização": ansiedade, depressão, insônia e certos tipos de arritmia.

Experiência similar ocorreu ao psicólogo americano Jeff Berger, que, a partir de dados sobre as influências da atividade musical no cérebro, fornecidos pelo dr. Gottfried Schlaug, neurologista da Escola de Medicina de Harvard, criou na internet uma emissora de rádio alternativa (sourcetone.com), "o primeiro serviço de saúde musical do mundo". Seu objetivo é promover o relaxamento, aumentar o vigor, estimular a criatividade e restaurar a felicidade dos ouvintes. Não tive tempo suficiente para testar sua eficácia. Cliquei a opção calmo/tranquilo, e na caixa de som do meu computador entrou Sade (Bullet Proof Soul), a seleção Rhythm & Blues, e , depois, Debussy (a seleção clássicos do século 20) e Joni Mitchell (jazz vocal). Não fiquei mais relaxado, nem mais criativo (de que este texto é uma prova cabal), mas meus tímpanos não se sentiram agredidos, um consolo.

Tentarei mais uma vez. Já me darei por satisfeito se diminuir a insônia.

sábado, 28 de março de 2009

O "retorno" do LP é pra valer?

Texto publicado no jornal "Folha de S.Paulo" de 28/março/2009, caderno "Opinião"

Humilhando os amigos
por Ruy Castro

RIO DE JANEIRO - Um recente bordejo na Europa pelo que restou daqueles antigos templos do consumo, as lojas de discos, revelou prateleiras contendo um artigo que se supunha mais extinto que o dodô: o long playing, ou LP. Aquele que, depois do advento do CD, passou-se a chamar de "vinil".

O que, aliás, é tão sem sentido quanto chamar o CD de metal -vinil e metal sendo apenas o material com que são fabricados. Ou eram, porque o LP saiu de linha em 1990, depois de 42 anos como o formato ideal para se ouvir música gravada, e o CD, muito mais jovem, também já caducou diante dos novos meios eletrônicos.

Um dos prazeres do tempo do LP era ser o primeiro a ter o disco do Fulano ou do Beltrano, que acabara de sair nos EUA e ainda não chegara às importadoras por aqui, nem tinha previsão de edição nacional. Os mais enturmados eram amigos de comandantes da Varig, que os traziam na bagagem juntamente com as ampolas de Black Label e outros itens de primeira necessidade.

Ou então, quando o próprio sujeito viajava, o principal programa na volta era reunir os amigos e humilhá-los com uma audição em primeira mão. Os veteranos falam sobre isto com discos como "Only the Lonely", com Frank Sinatra, em 1958, "Time Out", com Dave Brubeck, em 1959, a trilha sonora de "West Side Story", em 1961, ou a de "A Hard Day's Night", em 1964.

Não por acaso, estes são LPs que vi há pouco em lojas de Madri e Berlim — lindos, que nem os originais, estalando de novos, prensados de véspera —, ao lado de toca-discos também novos e cópias exatas, até a última válvula, dos Technics do passado.

O que significa? Que os LPs estão voltando? Não, é só um capricho dos fabricantes. Um mimo para os que ainda gostam de ouvir grande música, bem gravada e num insuperável suporte físico.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Dica de site musical

Press-release publicado no portal de jornalismo www.maxpressnet.com.br em 04/março/2009

Músicos do Brasil — Uma enciclopédia instrumental

Site www.musicosdobrasil.com.br reúne 700 verbetes sobre instrumentistas e uma centena de textos sobre música brasileira

Em Músicos do Brasil: Uma Enciclopédia Instrumental - http://www.musicosdobrasil.com.br/ -, site disponível desde o início de fevereiro, estão reunidos verbetes sobre cerca de 700 dos principais instrumentistas que passaram pelos estúdios e palcos brasileiros. Não apenas os grandes nomes, vivos ou não, mas também centenas de músicos que tiveram papel importante na melhor música produzida no país desde o início das gravações até a atualidade.

O site foi criado e desenvolvido a partir de setembro de 2007 por Maria Luiza Kfouri, pesquisadora de música brasileira que desde 2005 mantém o site Discos do Brasil - Uma Discografia Brasileira (http://www.discosdobrasil.com.br/), e por Fernando Barcellos Ximenes, que escreveu todos os textos sobre os músicos já falecidos.

Além dos verbetes, ensaios escritos por especialistas e dissertações universitárias sobre grupos musicais, instrumentos, estilos e discos significativos. Referências cruzadas, através de links, permitem o aprofundamento da pesquisa sempre que o leitor desejar. O site tem ainda fotos de grande parte dos músicos e cerca de 250 músicas cujos fonogramas foram cedidos pelos próprios artistas.

A direção de tecnologia é de Mauro Caldas, o Zeca Louro, outro especialista em música nacional, criador do blog Loronix, que é junto com Discos do Brasil uma das fontes primárias para o banco de dados de Músicos do Brasil.

Segundo Kfouri e Ximenes, uma das propostas do trabalho "é eliminar a dificuldade encontrada a cada vez que se pretendia pesquisar a origem do uso de determinados instrumentos em nossa música, seus mestres, autores, arranjadores e líderes de orquestras e conjuntos - assim como os diversos gêneros de música instrumental ou, ainda, a metodologia utilizada por um grande instrumentista ou arranjador - e se esbarrava na ausência de informações objetivas que se concentrassem no principal: na vida musical, nos estudos, na obra, nas influências sofridas e exercidas, na linhagem criada."

Os verbetes dos músicos vivos foram elaborados a partir de questionários enviados pela Internet para os instrumentistas obedecendo ao critério "poderá entrar na Enciclopédia todo músico que gravou ou participou da gravação de um disco instrumental".

Os questionários foram respondidos por escrito através da Internet ou, em alguns casos, por entrevista gravada. Os verbetes sobre os músicos falecidos se baseiam em pesquisas realizadas na Internet, complementadas por fontes bibliográficas.

Os verbetes tratam da formação, do pensamento do músico e de como ele é em suas diversas facetas: como professor, como instrumentista, como compositor, como arranjador, o que considera como os principais momentos de sua carreira, quais são suas preferências musicais, e sua discografia.

O questionário está disponível no site para ser respondido. Evidentemente, a escolha da Internet como mídia deve-se, também, ao fato de que uma Enciclopédia como esta nunca estará completa.

Assim, Músicos do Brasil: Uma Enciclopédia terá evolução constante, com a incorporação progressiva de novos verbetes, ensaios, exemplos musicais e fotografias, na medida em que sejam disponibilizados e que a legislação de direitos autorais permita.

Dentre os quase 500 questionários já respondidos, algumas curiosidades: Wagner Tiso foi dos primeiros a responder o questionário e a ter seu verbete editado; Francis Hime respondeu ao questionário à mão; músicos que moram fora do Brasil também responderam, como Romero Lubambo, Cesar Camargo Mariano, Duduka da Fonseca, Nilson Matta, Rodrigo Botter Maio, Márcio Tubino, Carlos Bernardo e Airto Moreira, entre outros.

A Enciclopédia tem músicos de todo o país além de vários instrumentistas que fizeram carreira por aqui como o professor alemão Hans-Joachim Koellreutter, o baterista Cláudio Slon, nascido na Argentina, o contrabaixista norte-americano Bruce Henri, o saxofonista francês Idriss Boudrioua e o maestro italiano Enrico Simonetti.

Entre os autores dos ensaios estão Teco Cardoso (O saxofone), Maurício Carrilho (O violão de 7 cordas), Benjamin Taubkin (Piano brasileiro), Mônica Salmaso (O canto dentro da música), Henrique Cazes (O cavaquinho), Toninho Carrasqueira (Flauta brasileira), Ivan Villela (A viola), Djalma Correa (A percussão no Brasil) e o jornalista José Domingos Raffaelli (A história do samba jazz).

quarta-feira, 4 de março de 2009

Goodbye, Virgin Megastore!

Texto publicado no portal do jornal "O Globo" de 04/março/2009 às 12h38m


Imagem encontrada e copiada do blog "I'm Learning To Share"
(http://learning2share.blogspot.com/), postada lá em 15/fevereiro/2008.

Em maio de 1996, fui conhecer a Virgin Megastore de Time Square...
Inesquecível... ao passar pela seção de CDs de música brasileira,
a voz de Gal Costa marcava o som ambiente...



Crise no mercado de música
Megastores da Virgin nos EUA fecharão as portas até o fim do verão americano

RIO - Após quase duas décadas atuando como uma referência do mercado de música no mundo inteiro, a Virgin — empresa britânica do segmento de vídeos, CDs e artigos ligados à indústria de fonográfica e de entretenimento — vai fechar todas as grandes lojas nos Estados Unidos até o fim do verão.

O motivo é a valor dos pontos onde estão instaladas as lojas, que podem render mais alugados do que com as vendas das lojas. Com isso, mil funcionários perderão o emprego.

As lojas mais modernas foram investimentos do bilionário e fundador da rede, Sir Richard Branson, e permanecem rentáveis, mas as imobiliárias responsáveis pela cadeia nos Estados Unidos disseram que poderiam aumentar a renda com novos inquilinos.

— Eu vinha protelando a decisão, com a idéia que esta seria mais uma vítima da indústria da música disse Simon Wright — o executivo principal da Virgin Entertainment Group Inc.

A economia desaquecida com a crise financeira internacional foi o golpe final para a decisão do fechamento das lojas. Para tentar competir com as músicas baixadas pela internet, principal causa das perdas financeiras, a Virgin já vinha diversificando o ramo de atuação dos negócios.

Nos últimos anos, suas lojas passaram a vender livros, roupas e também produtos eletrônicos. As lojas restantes geraram US$ 170 milhões de receita em um ano, bem abaixo dos US$ 230 milhões no apogeu do negócio, em 2002.

Time Square ficará sem a Virgin

A falta de planos de expansão e a crise internacional agravada em setembro de 2008 levaram à decisão de fechar a loja localizada na Times Square, no coração da cidade de Nova York. A filial tinha apresentado o melhor resultado, de US$ 56 milhões, no ano passado.

— Nossas seis melhores lojas são também os nossos seis melhores lojas do ponto de vista imobiliário - ratificou Wright.

A emblemática loja de 52 mil metros quadrados na Time Square, que virou um dos pontos de referência da cidade de Nova York, será fechada em abril. Em seguida, cerram-se as portas de outra loja na cidade.

O mesmo destino terão as filiais de Los Angeles, São Francisco, Orlando, Flórida, e Denver, todas em junho. Cerca de 1.000 funcionários das lojas e mais 60 no nível corporativo serão demitidos.

A primeira loja da Virgin nos Estados Unidos foi aberta em dezembro de 1992, em Sunset Boulevard, a avenida mais famosa da não menos importante cidade de Hollywood. Mas no início do ano passado foi fechada, quando expirou sua locação.

Mercado de músicas online foi a derrocada

Em sete dos últimos oito anos as vendas de música declinaram, em grande parte devido à partilha ilegal de arquivos através da internet. A tendência atual de comprar canções individuais, em vez de álbuns completos, através da Apple Inc, iTunes e outras lojas virtuais também contribuiu para a derrocada.

A Virgin também ficou conhecida pelas performances do seu proprietário nas inaugurações, que tornaram famoso em tinha lojas abertas muitas vezes com o tipo de acrobacias que ajudaram a tornar famoso Ricrad Branson. Em uma das lojas Branson foi vestido como o vocalista da banda Gun's and Rose, Axl Rose em uma loja de Hollywood, em 2005.

As lojas também serviam como uma maneira de lançar novos artistas ou promover ainda mais artistas já estabelecidos.

Mariah Carey andou no tapete vermelho da loja em Hollywood para a nova versão, em 2005 do álbum "The Emancipation of Mimi" e cantores como Avril Lavigne, Clay Aiken, Faith Hill e lançaram álbuns com noites de autógrafos, com maciça presença de fãs, que muitas vezes ultrapassavam o horário de funcionamento das lojas e seguiam por noite adentro.

— As pessoas podem ir na internet baixar as músicas online, mas nunca conseguirão substituir nossos eventos de divulgação de astros da música. A Times Square era particularmente famosa por causa disso — completou o executivo da Virgin nos EUA.